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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Das estrelas que contemplei


Das Estrelas, que contemplei

Das estrelas que contemplei, molhadas por rios e orvalhos diferentes
Escolhi apenas a que amava e desde então durmo com a noite.

Da onda, de uma onda e outra onda, verde mar, verde frio, verde ramo
escolhi apenas a onda: a onda do indivisível do teu corpo.
Todas as gotas, todas as raízes, todos os fios da luz vieram ver.

Eu quis para mim a tua cabeleira, e de todos os dons da minha pátria
só escolhi teu coração selvagem

Pablo Neruda

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Das Estrelas, que contemplei

Das Estrelas, que contemplei

Das estrelas que contemplei, molhadas por rios e orvalhos diferentes
Escolhi apenas a que amava e desde então durmo com a noite.

Da onda, de uma onda e outra onda, verde mar, verde frio, verde ramo
escolhi apenas a onda: a onda do indivisível do teu corpo.
Todas as gotas, todas as raízes, todos os fios da luz vieram ver.

Eu quis para mim a tua cabeleira, e de todos os dons da minha pátria
só escolhi teu coração selvagem

Pablo Neruda

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

A noite na Ilha


Dormi contigo a noite inteira junto do mar, na ilha. 
Selvagem e doce eras entre o prazer e o sono, 
entre o fogo e a água. 
Talvez bem tarde nossos 
sonos se uniram na altura e no fundo,
em cima como ramos que um mesmo vento move,
embaixo como raízes vermelhas que se tocam. 
Talvez teu sono se separou do meu e pelo mar escuro
me procurava como antes, quando nem existias,
quando sem te enxergar naveguei a teu lado 
e teus olhos buscavam o que agora - pão, 
vinho, amor e cólera - te dou, cheias as mãos, 
porque tu és a taça que só esperava 
os dons da minha vida.
Dormi junto contigo a noite inteira, 
enquanto a escura terra gira com vivos e com mortos, 
de repente desperto e no meio da sombra meu braço
rodeava tua cintura. 
Nem a noite nem o sonho puderam separar-nos.
Dormi contigo, amor, despertei, e tua boca 
saída de teu sono me deu o sabor da terra,
de água-marinha, de algas, de tua íntima vida, 
e recebi teu beijo molhado pela aurora 
como se me chegasse do mar que nos rodeia.

Pablo Neruda

domingo, 29 de agosto de 2010

Aqui te amo...




Aqui eu te amo.
Nos escuros pinheiros se desenlaça o vento.
Fosforece a lua sobre as águas errantes.
Andam dias iguais a perseguir-se.

Descinge-se a névoa em dançantes figuras.
Uma gaivota de prata se desprende do ocaso.
As vezes uma vela. Altas, altas, estrelas.

Ou a cruz negra de um barco.
Só.
As vezes amanheço, e minha alma está úmida.
Soa, ressoa o mar distante.
Isto é um porto.
Aqui eu te amo.

Pablo Neruda



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