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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Chegar com a brisa

Chegar, como brisa que atravessa a janela.
Soprando de leve, as brumas do passado.
Chegar, como o barco. 
Trazendo alegrias,
 após enfrentar as procelas sombrias.
Chegar, como a saudade. 
Que bate, de manso, no coração.
Chegar, como chuva, fininha, mansinha,
criadeira, necessária e tão querida. 
Ficar, nas lembranças do passado,
 nas estampas do presente,
 a retratar nosso ontem no hoje.

Ficar, para sempre. 
Na imagem nunca esquecida,
 dos que nos são tão queridos.
A vida, é chegar e ficar, para sempre. 
Vida nunca será partida. 

Cecília Meireles

O Rei do Mar

Muitas velas. Muitos remos.
Âncora é outro falar...
Tempo que navegaremos
não se pode calcular.
Vimos as Plêiades. Vemos
agora a Estrela Polar.
Muitas velas. Muitos remos.
Curta vida. Longo mar.
Por água brava ou serena
deixamos nosso cantar,
vendo a voz como é pequena
sobre o comprimento do ar.
Se alguém ouvir, temos pena:
só cantamos para o mar...
Nem tormenta nem tormento
nos poderia para.
(Muitas velas. Muitos remos.
Âncora é outro falar...)
Andamos entre água e vento
procurando o Rei do Mar.

Cecília Meireles

Apresentação

Aqui está a minha vida- esta areia tão clara
com desenhos de andar dedicados ao vento.
Aqui em minha voz- esta concha vazia,
sombra de som curtindo o seu próprio lamento.
Aqui está a minha dor- este coral quebrado,
sobrevivendo ao seu patético momento.
Aqui está a minha herança- este mar solitário,
que de um lado era amor e, do outro, esquecimento

Cecilia Meireles

O Rei do Mar


Muitas velas. Muitos remos.
Âncora é outro falar...
Tempo que navegaremos
não se pode calcular.
Vimos as Plêiades. Vemos
agora a Estrela Polar.
Muitas velas. Muitos remos.
Curta vida. Longo mar.
Por água brava ou serena
deixamos nosso cantar,
vendo a voz como é pequena
sobre o comprimento do ar.
Se alguém ouvir, temos pena:
só cantamos para o mar...
Nem tormenta nem tormento
nos poderia para.
(Muitas velas. Muitos remos.
Âncora é outro falar...)
Andamos entre água e vento
procurando o Rei do Mar.

Cecília Meireles

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Pescaria


Cesto de peixes no chão.
Cheio de peixes, o mar.
Cheiro de peixe pelo ar.
E peixes no chão.

Chora a espuma pela areia,
na maré cheia.

As mãos do mar vêm e vão,
as mãos do mar pela areia
onde os peixes estão.

As mãos do mar vêm e vão,
em vão.
Não chegarão
aos peixes do chão.

Por isso chora, na areia,
a espuma da maré cheia.

Cecília Meireles

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Luar


LUAR'

FACE do muro tão plana,
com o sabugueiro florido.
O luar parece que abana
as ramagens na parede.
A noite tôda é um zumbido
e um florir de vagalumes.
A boca morre de sêde
junto à frescura dos galhos.
Andam nascendo os perfumes
na sêda crespa dos cravos.
Brota o sono dos canteiros
como o cristal dos orvalhos.

Cecília Meireles

.

Praia




Praia 


Nuvem, caravela branca
No ar azul do meio-dia:
- quem te viu como eu te via?

Rolaram trovões escuros
Pela vertente dos montes.
Tremeram súbitas fontes.

Depois, ficou tudo triste
Como o nome dos defuntos:
Mar e céu morreram juntos.

Vinha o vento do mar alto
E levantava as areias,
Sem ver como estavam cheias

De tanta coisa esquecida, 
Pisada por tantos passos,
Quebradas em tantos pedaços!

Por onde ficou teu corpo,
- ilusão de claridade -
quando se fez tempestade?

Nuvem, caravela branca,
Nunca mais há meio-dia?

(já nem sei como te via!)

Cecília Meireles

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O Rei do Mar


O Rei do Mar

Muitas velas. Muitos remos.
Âncora é outro falar...
Tempo que navegaremos
não se pode calcular:
Vimos as Plêiades.Vemos
agora a Estrela Polar.
Muitas velas.Muitos remos.
Curta Vida. Longo mar.

Por água brava ou serena
deixamos nosso cantar,
vendo a voz como é pequena
sobre o comprimento do ar.
Se alguém ouvir, temos pena:
só contamos para o mar...

Nem tormenta nem tormento 
nos poderia parar.
[Muitas velas.Muitos remos.
Âncora é outro falar...]
Andamos entre água e vento
procurando o Rei do Mar.

Cecília Meireles 

.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Destino do Mar...





"Os remos batem nas águas:
têm de ferir, para andar.
As águas vão consentindo-
esse é o destino do mar"


Cecília Meireles