quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Fascinação



Aqui eu ficaria
o dia inteiro
 ouvindo as gaivotas
e tentenado decifrar
o mistério
dessas águas
que desde o mais remoto tempo
nos atrai e fascina


£una

Se eu tiver que me perder....que seja no mar

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Deslumbramento


Passeia à beira-mar e tem a graça
da clara luz do dia que amanhece
e à sua volta o ar até parece
ganhar outra leveza quando passa.

Um bando de gaivotas esvoaça
em seu redor e como numa prece
eis que a seus pés a espuma se enternece
com o desenho que na areia traça.

Aproxima-se a gente e, ao tentar
perceber o mistério da visão,
logo vê que o segredo a desvendar

é apenas mais um desses que o mar
esconde ou revela na ocasião,
conforme quem lhe interessa deslumbrar.

Torquato da Luz

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Praia deserta

Minha alma ficou ali naquela praia
deserta e antiga,
onde jazem os escombros dos barcos
naufragados
e os lamentos das mulheres que perderam
seus homens no mar.
Ali naquela canto batido de ventos,
carcaças e moluscos na areia,
a minha alma vagueia
entre a bruma e a penumbra do luar...

£una

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O fascínio do mar...



Quando eu morrer
voltarei para buscar
os momentos que não vivi
junto ao mar...

Sophia de Mello Andresen


segunda-feira, 1 de novembro de 2010

A Alma da Tempestade

A Alma da Tempestade
Filho, marido, pai, — toda a trindade
Do seu amor — o Mar pôde perdê-los...
Noite de vendaval: escuridade,
Relâmpagos, trovões, atros novelos

De nuvens, fragor de ondas, atropelos
De ventos... E ela olhava a imensidade
Encharcadas as roupas e os cabelos,
Na praia, em pé, hirta na tempestade.

E ainda hoje ela uiva as maldições e as pragas,
Louca, gênio, de um ódio ingênuo e mau,
No concerto dos ventos e das vagas.

Misturam-se-lhe os lúgubres lamentos
Na noite negra, ao troar dos raios, ao
Quebrar das ondas, ao gemer dos ventos!

Afonso Lopes de Almeida

Se o mar Entrar

Se o mar Entrar
Se o mar entrar em casa, com sas flores de som
inundar os tapetes, onde a cinza se instalou.
Com o tempo,e as minúcias do pó.
O mar já está aberto e voltado de borco!
Se o mar entrar o chão já se rompeu
pelos buracos a cor,abre-se a floresta
É um tambor de paz o dia fruto novo

Casimiro de Brito