sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Gosto de sal


Vinhas correndo pela areia branca
o sorriso de ponta a ponta
o sol cintilando no cabelo
e a alegria dos dias brotando linda
 pelo olhar de anjo moreno
de asas douradas cheirando a oceano...

Teu beijo com certeza tinha gosto de sal
de sal e sol...

Mariza Alencastro

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

sábado, 19 de março de 2011

Vem do horizonte

Tela de Janet Hill
vem do horizonte esse bater de asas
cortando as marés enfurecidas
que sacodem os barcos 
e jogam na areia as oferendas recebidas
vem da madrugada o som plangente
de navios perdidos
estrelas cadentes, luares imprevistos
rasgando a solidão do mar adormecido.

£una

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Desci ao mar


desci ao mar, em sua escura teia
de grutas e cavernas esquecidas
senti seu palpitar de transe em minha veia
com o gosto das noites possuídas
de sal e sangue sobre a branca areia.


Mariza Alencastro

A noite e seu canto


...No branco rendilhado dos luares
sobre a areia
quando o mar se aquieta e o sono chega
com estrelas pingando nas pestanas
de asas negras
quando o silêncio é mais profundo 
nas hastes das palmeiras
a dançar
a noite ergue seu canto mais profano
nas catedrais ungidas de luar...


Mariza Alencastro

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O aviso da Vida



O Aviso da Vida

Passa a noite inteira dentro do meu quarto
Piscando o olho.
Diz que vigia o meu sono 
Lá da escuridão dos mares
E que me pajeia até o sol chegar.
Por isso grita em cores
Sobre meu corpo adormecido ou
Dividindo em compassos coloridos
As minhas longas insônias.
Branco
Vermelho
Branco 
Vermelho
O farol é como a vida
Nunca me disse: Verde.


Adalgisa Nery

Há de flutuar uma cidade



Há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida
pensava eu... como seriam felizes as mulheres
à beira mar debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado
por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentíssimos... sem ninguém
e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentado à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão
(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no
coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)
um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade

 Al Berto